Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

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Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

Mensagem por António Júlio em Seg 15 Nov 2010 - 14:57

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A linha de porte médio-grande, conhecida hoje como Classe E, é a de
maior longevidade na história da Mercedes-Benz — por sua vez o
fabricante de automóveis mais antigo do mundo, se considerado o
início da produção por Karl Benz em 1886. A série começou em 1936
com a geração W136 (os modelos da marca até hoje são designados por
números precedidos pela letra W) e suas várias versões, todas com o
número 170.

Em 1953 esses modelos do pré-guerra começavam a dar lugar às linhas
W120, W121 (versões de quatro cilindros), W128 e W180 (de seis
cilindros), conhecidas como Ponton pelo formato dos pára-lamas. Oito
anos mais tarde, a série W110 vinha substituí-la, com um estilo
inspirado em modelos americanos e aletas nos pára-lamas traseiros, a
origem do apelido Fintail. A linha sucessória tinha seguimento em 1968
com a geração W114/W115 ou "barra-oito", com motores de quatro, cinco
e seis cilindros. A série subseqüente, W123, estreava em 1976.

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O conceito Auto 2000, que em 1981 previa soluções para a virada do
milênio, antecipou elementos de desenho que apareceriam três anos
depois no Classe

Na década de 1980 a Mercedes diversificava sua linha. Havia agora o
190, um sedã médio para competir com o BMW Série 3 e o Audi 80 em um
segmento inferior ao do W123. O rejuvenescimento de linhas trazido
pelo novo carro expunha a idade do modelo maior, que em novembro de
1984 cedia seu espaço a mais uma geração do que se tornaria o Classe
E: a série W124.

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Se para muitos seu estilo parecia familiar, havia um motivo: no início
da década a Mercedes havia apresentado, em um programa do governo
alemão com várias marcas, sua interpretação para o Auto 2000, o
carro para a virada do milênio. O ousado modelo de cinco portas tinha
pára-choques envolventes em plástico, grandes faróis retangulares, a
tradicional grade fixada ao capô e cuidados com a aerodinâmica —
tudo como no W124, embora com linhas mais futuristas e menos
harmoniosas.

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As dimensões do sedã continuavam amplas: 4,75 metros de comprimento,
1,79 m de largura, 1,43 m de altura, 2,80 m de distância entre eixos.
Idealizadas pelo italiano Bruno Sacco, as formas lembravam as do 190,
mas com proporções mais alongadas e traseira mais baixa, pois o W124
atendia a um público mais conservador. Isso não impedia que
surpreendesse pela aerodinâmica, com Cx 0,28 na versão básica (com
pneus mais estreitos), o melhor da indústria mundial a seu tempo.
Concorria para esse resultado um revestimento plástico sob a
carroceria que disciplinava o fluxo de ar nessa região.

O limpador de pára-brisa tinha um só braço, como no Fiat Uno
lançado no ano anterior, mas usava um sistema pantográfico que fazia
a palheta descrever arco mais amplo, varrendo melhor as extremidades
superiores do vidro do que um sistema convencional. Recursos
convenientes, opcionais, eram o ajuste elétrico em distância do
volante (um grande quatro-raios, como de hábito), o controle
automático de temperatura do ar-condicionado e o comando para rebater
os encostos de cabeça do banco traseiro, de modo a não prejudicar a
visibilidade para trás quando não houvesse passageiros ali. O porta-
malas comportava 520 litros

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A linha compreendia oito versões do sedã. Com quatro cilindros havia
o 200 (2,0 litros, carburador, 109 cv), o 200 E (com injeção e 122
cv, a partir de julho seguinte) e o 230 E (2,3 l, injeção, 136 cv).
Com seis cilindros em linha, o 260 E (2,6 l, 170 cv) e o 300 E (3,0 l,
177 cv, em maio seguinte), ambos com injeção. Não poderiam faltar as
opções a diesel, ainda de aspiração natural: 200 D (quatro
cilindros, 2,0 l, 72 cv), 250 D (cinco cilindros, 2,5 l, 90 cv) e 300
D (seis cilindros, 3,0 l, 109 cv). Como se nota, à época a Mercedes
seguia fielmente a regra de identificar a cilindrada pelo número da
versão.

Havia escolha entre câmbio manual de cinco marchas e automático de
quatro velocidades, com dois programas de funcionamento (o automático
de cinco equiparia mais tarde as versões de seis cilindros a
gasolina). A suspensão traseira, muito moderna, seguia o conceito
multibraço. Freios com sistema antitravamento (ABS) em 1987 e bolsa
inflável para o motorista em 1992 viriam adicionar segurança, assim
como os cintos dianteiros com mecanismo pretensionador.

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A perua 300 TD a diesel era lançada no Salão de Frankfurt de 1985,
seguida um ano depois pela 300 TE a gasolina. Quatro centímetros mais
longa que o sedã, mas com igual entreeixos, tinha opção entre cinco
e sete lugares, configuração esta obtida com um banco adicional para
duas crianças montado no compartimento de bagagem, voltado para trás,
como na antecessora W123. Um recurso muito útil era a suspensão
traseira com nivelamento automático, a fim de manter a altura original
de rodagem mesmo com carga máxima. O sistema usava esferas preenchidas
por gás e um compressor no compartimento do motor para ajustar e
manter sua pressão.

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A perua W124 levava até sete ocupantes e trazia nivelamento
automático da altura da traseira

Em 1986 aparecia o motor a diesel de 3,0 litros com turbocompressor e
143 cv no sedã 300 D Turbo. Os motores Mercedes a diesel sempre foram
muito conceituados pela robustez, durabilidade e funcionamento suave,
o que se explica pela enorme tradição da marca nesse campo, iniciada
em 1936 com o 260 D. É um dos motivos, aliás, da preferência de
muitos taxistas na Alemanha e fora dela

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No Salão de Genebra, em março de 1987, eram lançados os cupês 230
CE e 300 CE com a mesma mecânica do quatro-portas. Mais curto (4,67 m)
e baixo (1,41 m), o modelo tinha também menor entreeixos (2,71 m) e
não usava colunas centrais. Para facilitar a colocação do cinto pelo
motorista e o passageiro da frente, um mecanismo "levava" o
equipamento até perto dos ocupantes.

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Disponível só como 230 e 300 CE, o cupê usava menor entreeixos e não tinha colunas centrais

Os sedãs 260 E, 300 E e 300 D e as peruas 300 TE e 300 TD passavam a oferecer a tração integral
4Matic, de funcionamento automático, muito apreciada em países com inverno rigoroso.

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No ano seguinte o 250 D ganhava turbo, chegando a 126 cv.

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"Martelo de veludo" A Mercedes tinha várias novidades na linha 1990
do Classe E. O motor 3,0 ganhava cabeçote com duplo comando e quatro
válvulas por cilindro (24 no total), sendo as versões designadas pelo
número 24, como em 300 E-24. Toda a linha recebia alterações
visuais: os pára-choques (assim como os retrovisores) vinham em cinza-
claro, com uma faixa protetora em preto, e as laterais os acompanhavam
com uma larga faixa clara em vez do estreito friso preto. E chegavam
as versões alongadas, com 5,54 m de comprimento e 3,60 m entre eixos,
disponíveis como 260 E e 250 D — mais tarde também 280 E.

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Uma expressiva injeção de ânimo para a série W124 vinha em
fevereiro de 1991 com uma versão que seria histórica para a marca: o
500 E, sedã de alto desempenho desenvolvido em parceria com a Porsche.
O motor V8 de 4.973 cm³, duplo comando (com variador no de admissão)
e 32 válvulas, da série M119, era derivado do que equipava o roadster
500 SL. Fornecia potência de 326 cv e torque de 49 m.kgf, o bastante
para acelerar de 0 a 100 km/h em 6,1 segundos — só 0,6 s a mais que
o Ferrari V8 da época, o 348.

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Usina de força: o 500 E extraía 326 cv do motor V8 de 5,0 litros e 32
válvulas, com o que acelerava perto de um Ferrari 348

A velocidade máxima era limitada a 250 km/h pela central eletrônica,
embora pudesse ser bem mais alta. A razão era o "acordo de
cavalheiros" firmado entre o governo e alguns fabricantes alemães,
para evitar uma corrida por maior velocidade no país em que algumas
estradas não têm limite. Para se ter uma idéia do potencial desse
motor, uma versão dele com dois turbos equipava o Sauber C9 vencedor
da 24 Horas de Le Mans em 1989.

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Todo o conjunto era revisto: freios do 500 SL (mais tarde os do 600 SL
V12), bitola mais larga, suspensão recalibrada e 25 mm mais baixa,
rodas de 16 pol com pneus 225/55. O interior tinha quatro bancos
individuais Recaro e trazia numerosos itens de conveniência, mas a
aparência externa era discreta, sem aerofólio e com rodas de desenho
tradicional. Apelidado de Velvet Hammer (martelo de veludo), "lobo em
pele de cordeiro" ou Porsche-Benz, o 500 E exigia 18 dias entre as
fábricas da Mercedes e da Porsche para ser produzido. Apenas 10.479
chegariam às ruas até 1994.

Ainda em 1991, em setembro era lançado o 400 E, que pela primeira vez
aplicava a um Classe E "comum" um motor V8. A unidade de 4,2 litros e
32 válvulas gerava 279 cv. A cilindrada justificaria chamá-lo de 420
E, mas a Mercedes já não fazia questão de coincidir o número da
versão e o deslocamento do motor — tanto que o 260 E, desde o ano
anterior, vinha designado como 300 E 2.6.

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"o Lobo com pelo de Cordeiro!"

À mesma época, no Salão de Frankfurt, o Classe E ganhava a charmosa versão conversível de quatro
lugares em versão 300 CE. A capota desaparecia quando aberta, para
não prejudicar a elegância das linhas e a visibilidade traseira.

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Em setembro de 1992 havia uma reestruturação de versões. O 200 E-16
trazia quatro válvulas por cilindro, para chegar a 136 cv. O 230 E
dava lugar ao 220 E, com um quatro-cilindros de 2,2 litros e 150 cv, e
o 300 E era substituído por duas opções de seis cilindros em linha e
24 válvulas: o 280 E (2,8 l, 197 cv) e o 320 E (3,2 l, 220 cv). No ano
seguinte a marca da estrela adotava o atual padrão de denominação,
em que a letra correspondente à série precede o número alusivo ao
motor. Enquanto o modelo 190 dava lugar à primeira geração do Classe
C, as demais linhas tinham a letra trocada de posição — de 500 SL
para SL 500, por exemplo.

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O conversível de quatro lugares foi a última versão da família a
ser lançada e a sair de produção, pois não teve sucessor dentro da
própria linha Classe E

No caso do Classe E, a letra agora identificava a série e não mais a
injeção de combustível (Einspritzung em alemão), como em E 320, E
420 (no lugar de 400 E) e E 500. Com isso, versões a diesel também
ganhavam o "E": o 300 D tornava-se E 300 Diesel. A mudança acontecia
em junho, ao mesmo tempo que as leves alterações de estilo: grade
mais integrada ao capô, a estrela da marca em separado, novos pára-
choques, luzes de direção dianteiras incolores e traseiras em tom
fumê, moldura cromada sobre a placa de licença. Mais tarde, em
setembro, duas versões especiais eram apresentadas pela AMG, a
preparadora alemã que iniciou atividades em 1967, elaborando Mercedes
de alto desempenho para rua e pista, e agora trabalhava em cooperação
com o fabricante.

Disponível como sedã, cupê e conversível, o E 36 AMG usava uma
versão do seis-em-linha com 3.604 cm³, 272 cv e 39 m.kgf, com o que
arrancava de 0 a 100 em sete segundos (mesmo com câmbio automático de
quatro marchas) e atingia 250 km/h. A outra novidade, muito especial,
vinha representar o topo da linha: o sedã E 60 AMG. Seu grande V8 de
5.956 cm³ e 32 válvulas chegava a 381 cv e 47,9 m.kgf, para acelerar
de 0 a 100 em 5,4 s, apesar dos expressivos 1.710 kg, e alcançar 250
km/h (limite eletrônico). Também com caixa automática de quatro
marchas, a versão foi feita por pouco mais de um ano em série
reduzida.

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Grade, pára-choques e lanternas eram alterados no modelo 1993 do
W124, que adotava o atual padrão de denominação da marca

Com a apresentação da nova geração W210 (o Classe E de quatro
faróis ovalados) em 1995, a Mercedes iniciava a substituição da
série W124. Os últimos sedãs a gasolina foram feitos em agosto
daquele ano, mas a versão a diesel, algumas peruas e cupês foram até
fevereiro de 1996. O conversível estendeu-se a julho de 1997, pois
não teve sucessor direto, assim como o cupê — a Mercedes lançou em
seu lugar o CLK, de menor porte, derivado do Classe C de 1993.

O W124 somou 2.583.470 unidades produzidas, sendo 80% de sedãs. E
deixou muitos admiradores com sua combinação de estilo imponente,
técnica de vanguarda, elevado conforto e qualidade de construção
primorosa.

Modelos "especiais"

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Supremacia W124

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António Júlio
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Re: Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

Mensagem por pinetree em Qua 17 Nov 2010 - 13:10

Gajo, mais um post interessante.
ParaBenz pela iniciativa da pesquisa.
Só uma ressalva, teu teclado não tem as teclas w, 1, 6 e 3 ?
Vou pedir ao teu "gordinho" para te ensinar este atalho.

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Re: Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

Mensagem por Rhalff23 em Qua 17 Nov 2010 - 13:28

Mais uma vez nosso amigo António trazendo muita informação importante! Deu pra tirar muita duvida Smile
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Re: Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

Mensagem por marcelo300e em Qua 17 Nov 2010 - 13:37

cheers

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Re: Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

Mensagem por Guest em Qua 17 Nov 2010 - 13:54

Muito interessante o post e bem elucidativo

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Re: Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

Mensagem por Convidad em Qua 17 Nov 2010 - 14:52

Antonio belo post, obrigado.
Muito interessante essa 500E.

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Re: Mercedes Benz W124 "Mantendo a Estrela a frente"

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